Sensações e Reflexões #3 - O Dilema das Redes (Documentário)
O problema não é somente a rede social.
A internet surgiu e foi crescendo em larga escala, e esse serviço foi sendo elaborado pela mente humana, um verdadeiro mundo estranho, um ciberespaço, onde ainda se tinha muito a entender, e podemos dizer que em 30 anos muita coisa aconteceu, a sociedade foi sendo moldada a fazer parte disso, primeiro sendo apresentado, depois navegando, seguido do relacionando e por último efetivamente opinando. Nos últimos 20 anos a tônica de relação das pessoas foi sendo trabalhada por técnicos ao ponto de deixar o usuário em seu mundo pessoal online, longe de ser algo estranho, e sim algo aconchegante. As chamadas redes sociais foram criadas para ser esse lugar pessoal, onde as pessoas podem encontrar a todo momento amigos, interesses, trabalhos e se expressar.
O documentário Dilema das
Redes traz um ponto interessante com relação as redes sociais quando mostra as
palavras de pessoas que trabalharam com a parte de criação desse instrumento, e
de início caso você não entenda como funcionam as redes sociais por dentro,
ficamos sabendo dos algoritmos. Os algoritmos são números programadas por
técnicos, e até esse ponto está tudo tranquilo, mas são as técnicas utilizadas
nesses algoritmos, e sua inteligência artificial que tornam o assunto mais
complexo, temos persuasão envolvido em todas as redes sociais e isso pode se
tornar um problema ou não da mesma maneira que já foi em outras épocas, já que esse
tipo de abordagem não é inédita, a televisão sempre fez isso, a publicidade
sempre fez isso, o rádio sempre fez isso, e de maneiras diferentes tinham o
mesmo objetivo.
Continuando na questão das
redes sociais se são prejudiciais ou não, defendo um ponto de vista
ligeiramente diferente do documentário, não acho que as plataformas sejam
prejudiciais, tendo em vista que há maneiras de se fazer um bom uso delas, e
como em qualquer tipo de tecnologia, com certeza vai haver manipulação,
persuasão, um certo tipo de controle, mas será que a culpa é só das “big techs”,
a culpa é só das grandes empresas que criaram e ganham dinheiro com essas
ferramentas?, ou a minha impressão de que a culpa desse chamado prejuízo as
pessoas não inclui as próprias pessoas que podem fazer suas escolhas, e não
fazem por não querer, ou mesmo não conhecer o que está consumindo, ou também os
próprios governos que não se movem para estipular alguns limites a acesso de
dados pelas empresas, ou mesmo as famílias que esquecem de olhar para seus
filhos e impor limites. No fundo somos controlados sim, mas até que ponto.
Usamos as redes sociais para
trabalho, para fazer negócios, para comprar, para network, e outras inúmeras
coisas importantes, mas também podemos usar para Fake News, polarização,
discurso de ódio, e esses dois lados extremos das redes podem ser entendidos,
como o próprio documentário nos mostra, começando pela regulamentação de acesso
a dados pelas empresas com os governos tentando organizar isso, talvez a
existência de alguma taxação quanto as essas informações, algo bem estudado e
trabalhando um novo modelo de negócio, mais justo, que obviamente sabemos ser extremamente
difícil, mas queria aqui focar também em tentar educar as pessoas com relação à
internet, não só as redes sociais, mas mostrar de maneira efetiva como ações
“online” podem afetar ações “offline”, afetando os mundos virtual e real, e acho
que esse é um dos pontos principais de uma educação sobre a tecnologia, mas
confesso que isso pode demorar muito.
Pra terminar defendo a internet, as redes sociais, e defendo que as pessoas possam estar por lá, mas de alguma forma tudo precisa ser regulado, o mundo online não pode ser terra de ninguém, onde tudo é permitido, e isso vale tanto para as empresas quanto para as pessoas, a tecnologia faz parte da nossa vida hoje, não temos como fugir disso, e desconectar depende de cada um, então se há uma forma de melhorar vamos seguir por esse caminho, e estou sendo o mais otimista possível, existe sim uma saída e em algum momento vamos encontrar.
Texto escrito por Fabrício Magalhães

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